Toda criança carrega memórias felizes e não felizes, inclusive traumas na infância, ocasionados inclusive por resultado de uma interpretação que a própria criança tem de algo pelo qual está passando, independente do ambiente familiar ser saudável ou não. Alem disso, traumas não são causados apenas na relação com a família, mas podem ser gerados pela iniciação da criança na vida em sociedade.
Essas memórias não felizes faz com que geramos mecanismos de defesa para “lidar com eles” e ao crescer, mesmo que o ambiente no qual vivemos mude e não exija mais esses mecanismos, continuamos com eles. É assim que nossa criança interior pode refletir no nosso desenvolvimento enquanto adultos.
Por exemplo, se na infância uma criança passa constantemente por críticas severas, isso pode acarretar em insegurança e em um perfil autocrítico muito forte, que na vida adulta vai fazer com que ela tenha dificuldade de sentir-se segura ao exercer suas atividades e mantenha sempre um peso negativo sobre tudo o que faz. Da mesma forma, a criança que não se sente acolhida pode desenvolver dificuldade de estabelecer relacionamentos ou sentir que precisa “comprar” a afeição dos outros.
Durante a infância, muitos desses mecanismos são importantes para o nosso desenvolvimento, mas na vida adulta, é preciso cuidar para que eles não continuem quando não são mais necessários e é nessa hora que precisamos reencontrar nossa criança interior, reconhecer esses traumas e cuidar deles.
Normalmente não é um processo simples, no sentido de que vai mexer com feridas para as quais não temos o hábito de olhar, mas é só através desse retomada que podemos identificar esses comportamentos prejudiciais e superá-los. Temos que nos reencontrar, acolher nossas dores e lidar com elas. Desse processo também tiramos muitas respostas sobre nós mesmos e como sempre digo, autoconhecimento é indispensável para uma vida de luz e harmonia.
O primeiro passo para essa jornada e pensar na sua criança interior. Se permita, em um momento de privacidade e em um local calmo, pensar na sua infância. Visualizar a criança que você foi e sentir as dores que ela sentiu. Com calma, observe o que vem à tona nesse processo. Do que sua criança tem receio? Como ela se comporta em determinadas situações? O que a faz sentir-se insegura? O que dói?
Depois desse reencontro, traga essa reflexão para sua vida adulta. O que ainda dói em você? Qual é aquele assunto, aquela história pela qual você passou que, quando vem à mente, ainda te incomoda? Que tipo de momento você não gostava de passar na infância e ainda hoje não gosta? É hora de permitir sentir o que dói e o que causa desconforto, porque é isso que vai transformar sua liberdade e leveza na vida. E não esqueça, você sempre pode buscar ajuda profissional para passar por essa jornada!


